domingo, 9 de dezembro de 2012

Daniel e Adele



Quando começou a tocar nas rádios Skyfall, da Adele, coisa de um par de meses atrás, pensei: “Uau, que música!”, e duplamente entusiasmado por saber que seria a trilha do próximo filme do 007. Mas logo também pensei “Putz, daqui a uma semana não vou suportar mais ouvir isso”, dado o grotesco e irritante funcionamento do mercado fonográfico que, via ondas de rádio, nos empurra massivamente ouvidos adentro as musiquinhas da vez como lavagem cerebral. E não deu outra: uma semana depois, quando deparava com Skyfall nas rádios, mudava correndo de estação.

E então vi 007 – OPERAÇÃO SKYFALL (SKYFALL, 2012): “Uau, que filme!”. Sim, é o melhor 007 dos últimos não sei quantos anos, porque filme de 007 é assim: já vi todos eles, mas me lembrar mesmo, além dos clássicos bordões “Bond, James Bond” e do martini “batido e não mexido”, só mesmo do supervilão Jaws (Dentes de Aço) roendo o cabo do bondinho do Pão de Açúcar em 007 CONTRA O FOGUETE DA MORTE (MOONRAKER, 1979), e da cena de 007 CONTRA GOLDFINGER (GOLDFINGER, 1964) em que James Sean Connery Bond vê nos olhos da bondgirl que está beijando o reflexo do bandido que vem lhe atacar por trás - a tempo de reagir e levar a melhor, claro.

Em relação às tramas, o máximo que me lembro é de quando 007 se casa (embora tenha sido um dos casamentos mais curtos do cinema), em 007 A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE (ON HER MAJESTY’S SECRET SERVICE, 1969), filme que também ficou marcado por ter sido o único do ator George Lazenby na pele do agente secreto – apesar de ter lhe rendido, curiosamente, indicação ao Globo de Ouro de ator revelação. De resto, não conseguiria dizer qual a sinopse de um único filme da série. Mesmo porque praticamente todos têm aquelas tramas de espionagem e politicagens, e confesso não ter entendido lhufas de algumas delas, tendo ficado apenas olhando as mirabolantes cenas de ação que, ora pipocas, cá entre nós, é o que realmente interessa em um filme de James Bond.

Já SKYFALL tem uma história batida e não mexida, ou seja, pura e simples: vingança pessoal - praticamente uma Avenida Brasil. Fácil fácil de acompanhar, com cenas de ação das mais eletrizantes e visualmente lindo: fotografia, cenografia e direção de arte são um espetáculo à parte. Javier Bardem, afetado e assustador, faz um vilão que se juntou a Dentes de Aço na galeria de inimigos inesquecíveis do 007. E, tendo celebrado o aniversário de 50 anos da série - o primeiro título foi 007 CONTRA O SATÂNICO DR. NO (DR. NO, 1962) -, o filme fecha um ciclo e recomeça outro, e de maneira emocionante. E, last but not least (também fechando o ciclo, afinal este é o tema deste texto), SKYFALL já começa com uma das mais belas aberturas da série, embalada por uma de suas igualmente mais belas canções-tema. Enfim, em bom português, um filmaço.

E pelo visto não sou o único a ter essa opinião sobre a mais recente aventura de 007: o filme já é a maior bilheteria da história do Reino Unido. Quanto à música-tema, Daniel James Bond Craig declarou que chorou quando a ouviu pela primeira vez.

Posso não ter chegado a tamanho nível de sensibilidade, mas uma coisa é certa: o mais novo trabalho de Daniel me fez amar Adele novamente. Porque agora quando toca Skyfall no rádio (e já faz mais de uma semana que vi o filme), aumento, mais do que nas primeiras vezes em que a ouvi, o volume: “This is the end. Hold your breath and count to 10...”.




(Não, este vídeo não é a abertura do filme – não encontrei nenhum com 
qualidade  minimamente decente -, mas sim o videoclipe oficial da música 
Skyfall, que também é muito bom.)



007 – OPERAÇÃO SKYFALL (SKYFALL, 2012)
Direção: Sam Mendes
Com: Daniel Craig, Javier Bardem, Judi Dench, Ralph Fiennes, Albert Finney etc.



Pra ver em DVD:

007 CONTRA O FOGUETE DA MORTE (MOONRAKER, 1979)
Direção: Lewis Gilbert
Com: Roger Moore, Richard Kiel (Jaws), Lois Chiles etc.

007 A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE (ON HER MAJESTY’S SECRET SERVICE, 1969)
Direção: Peter R. Hunt
Com: George Lazenby, Diana Rigg, Telly Savalas etc.

007 CONTRA GOLDFINGER (GOLDFINGER, 1964)
Direção: Guy Hamilton
Com: Sean Connery, Gert Fröbe (Goldfinger) etc.

007 CONTRA O SATÂNICO DR. NO (DR. NO, 1962)
Direção: Terence Young
Com: Sean Connery, Joseph Wiseman (Dr. No), Ursula Andress etc.