Quando começou a tocar nas rádios
Skyfall, da Adele, coisa de um par de
meses atrás, pensei: “Uau, que música!”, e duplamente entusiasmado por saber
que seria a trilha do próximo filme do 007. Mas logo também pensei “Putz, daqui
a uma semana não vou suportar mais ouvir isso”, dado o grotesco e irritante
funcionamento do mercado fonográfico que, via ondas de rádio, nos empurra
massivamente ouvidos adentro as musiquinhas da vez como lavagem cerebral. E não
deu outra: uma semana depois, quando deparava com Skyfall nas rádios, mudava correndo de estação.
E então vi 007 – OPERAÇÃO SKYFALL
(SKYFALL, 2012): “Uau, que filme!”. Sim, é o melhor 007 dos últimos não sei
quantos anos, porque filme de 007 é assim: já vi todos eles, mas me lembrar
mesmo, além dos clássicos bordões “Bond, James Bond” e do martini “batido e não
mexido”, só mesmo do supervilão Jaws (Dentes de Aço) roendo o cabo do bondinho
do Pão de Açúcar em 007 CONTRA O FOGUETE DA MORTE (MOONRAKER, 1979), e da cena
de 007 CONTRA GOLDFINGER (GOLDFINGER, 1964) em que James Sean Connery Bond vê
nos olhos da bondgirl que está beijando o reflexo do bandido que vem lhe atacar
por trás - a tempo de reagir e levar a melhor, claro.
Em relação às tramas, o máximo que
me lembro é de quando 007 se casa (embora tenha sido um dos casamentos mais
curtos do cinema), em 007 A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE (ON HER MAJESTY’S
SECRET SERVICE, 1969), filme que também ficou marcado por ter sido o único do
ator George Lazenby na pele do agente secreto – apesar de ter lhe rendido, curiosamente, indicação ao Globo de
Ouro de ator revelação. De resto, não conseguiria dizer qual a sinopse de um
único filme da série. Mesmo porque praticamente todos têm aquelas tramas de
espionagem e politicagens, e confesso não ter entendido lhufas de algumas delas,
tendo ficado apenas olhando as mirabolantes cenas de ação que, ora pipocas, cá
entre nós, é o que realmente interessa em um filme de James Bond.
Já SKYFALL tem uma história batida
e não mexida, ou seja, pura e simples: vingança pessoal - praticamente uma Avenida Brasil. Fácil fácil de
acompanhar, com cenas de ação das mais eletrizantes e visualmente lindo:
fotografia, cenografia e direção de arte são um espetáculo à parte. Javier
Bardem, afetado e assustador, faz um vilão que se juntou a Dentes de Aço na
galeria de inimigos inesquecíveis do 007. E, tendo celebrado o aniversário de
50 anos da série - o primeiro título foi 007 CONTRA O SATÂNICO DR. NO (DR. NO,
1962) -, o filme fecha um ciclo e recomeça outro, e de maneira emocionante. E, last but not least (também fechando o
ciclo, afinal este é o tema deste texto), SKYFALL já começa com uma das mais
belas aberturas da série, embalada por uma de suas igualmente mais belas
canções-tema. Enfim, em bom português, um filmaço.
E pelo visto não sou o único a
ter essa opinião sobre a mais recente aventura de 007: o filme já é a maior
bilheteria da história do Reino Unido. Quanto à música-tema, Daniel James Bond Craig
declarou que chorou quando a ouviu pela primeira vez.
Posso não ter chegado a tamanho
nível de sensibilidade, mas uma coisa é certa: o mais novo trabalho de Daniel
me fez amar Adele novamente. Porque agora quando toca Skyfall no rádio (e já faz mais de uma semana que vi o filme),
aumento, mais do que nas primeiras vezes em que a ouvi, o volume: “This is the end. Hold your breath and
count to 10...”.
(Não, este vídeo não é a abertura
do filme – não encontrei nenhum com
qualidade minimamente decente -, mas sim o
videoclipe oficial da música
Skyfall, que também é muito bom.)
Skyfall, que também é muito bom.)
007 – OPERAÇÃO SKYFALL (SKYFALL, 2012)
Direção: Sam Mendes
Com: Daniel Craig, Javier Bardem, Judi Dench, Ralph Fiennes, Albert Finney etc.
Pra ver em DVD:
007 CONTRA O FOGUETE DA MORTE (MOONRAKER, 1979)
Direção: Lewis Gilbert
Com: Roger Moore, Richard Kiel (Jaws), Lois Chiles etc.
007 A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE (ON HER MAJESTY’S SECRET SERVICE, 1969)
Direção: Peter R. Hunt
Com: George Lazenby, Diana Rigg, Telly Savalas etc.
007 CONTRA GOLDFINGER (GOLDFINGER, 1964)
Direção: Guy Hamilton
Com: Sean Connery, Gert Fröbe (Goldfinger) etc.
007 CONTRA O SATÂNICO DR. NO (DR. NO, 1962)
Direção: Terence Young
Com: Sean Connery, Joseph Wiseman (Dr. No), Ursula Andress etc.
