“Dolorosamente conectados”, é como Liv
Ullmann descreve sua relação com Ingmar Bergman no documentário LIV &
INGMAR – UMA HISTÓRIA DE AMOR (LIV & INGMAR, 2012), em cartaz nos cinemas. Não
pretendo divagar sobre o que seja o “amor”, seja o de Liv e Ingmar, seja
qualquer outro. Mas que Ingmar Bergman, um dos mestres da sétima arte, na arte
de amar era pior que o Ed Wood fazendo cinema, isso ele era.
Durante os cinco anos em que viveram como
casal, Bergman encarcerou (por vezes literalmente) Liv entre os muros de seu mundo particular, e
reagia ferozmente a suas tentativas de fuga ou insubordinação. Liv conta que em
seus momentos ele era capaz de dizer coisas que poderiam deixar marcas pelo
resto da vida. Mais gritos que sussurros.
Eles enfim se separaram, mas a dolorosa
conexão perdurou todos os 42 anos – até o fim da vida de Bergman - e 12 filmes
em que conviveram então como amigos e sempre como diretor e musa. Nas palavras de Liv, uma
“benção”. Relacionamento mais bergmaniano impossível.
Ou, como muito
bem definiu Ingmar Bergman em uma de suas cartas para Liv, “praticamente como o
inferno: quase romântico”.
LIV & INGMAR – UMA HISTÓRIA DE AMOR
(LIV & INGMAR, 2012)
Direção: Dheeraj
Akolkar
Com: Liv & Ingmar
