E pronto. Nesta quinta-feira chega ao fim (contando com a
repescagem) mais uma Mostra SP. Que não teve muito lá o que mostrar. Sim, tá
certo que devido à minha agenda apertada no período, só fui a 13 filmes. Mas este
foi, cabalisticacinefilamente o mesmo número de sessões – reduzido pelas mesmas
razões - a que fui no Festival do Rio deste ano. E que, ao contrário da prima
paulistana, rendeu alguns registros por aqui (http://migre.me/aWY3E,
http://migre.me/aXUjA, http://migre.me/aZyPS, http://migre.me/b0j6f e http://migre.me/b28mj).
Bom, houve na verdade dois filmes dignos de nota (mesmo
número de filmes que deixei no meio, a propósito). Um deles foi NO (idem,
2012), sobre o plebiscito chileno de 1988, resultado de pressão internacional,
que acabou com o direito de Pinochet concorrer a um novo mandato. O filme
mostra os bastidores da guerra publicitária entre o “sim” e o “não”, com
direitos a jingles, videoclipes e propagandas de conotação sexual. O politicamente
incorreto em prol da correção política – o que deu certo.
O outro foi o alemão TRANSPAPA (idem, 2012) (foto), filme
autobiográfico de sua diretora e roteirista Sarah-Judith Mettke, que em sua adolescência
descobre que seu pai que não via há anos havia virado uma mulher (sim, bem
semelhante a TRANSAMÉRICA (TRANSAMERICA, 2005), mudando apenas o sexo (não no
sentido cirúrgico) do pimpolho, que era um menino). E Sarah-Judith mostra como
ela própria passou a transição entre criança e mulher enquanto convivia com seu
pai, que já havia passado por essa fase.
Em certo momento, o antigo pai (que agora quer ser
considerado uma segunda mãe) faz a ela uma digressão sobre a história de Nero,
o famigerado imperador romano: sua mãe, Agripina, seduziu o tio (o imperador
Claudio), casou-se com ele, convenceu-o a adotar Nero, para depois envenená-lo
e levar seu filho ao poder. Anos depois, Nero tentou matar sua mãe algumas
vezes, em armações dignas de Coiote e Papaléguas, até se cansar de suas
tentativas frustradas e denunciá-la ao Senado como conspiradora, para que fosse
morta dentro da lei. “Pra que estou te contando tudo isso?”, ele(a) pergunta. E
responde ele(a) mesmo(a) em seguida: “Pra você ver que existem famílias piores
que a sua”.
Saindo da sala do cinema, captei entre os comentários de
meus colegas de mostra a informação de que a diretora havia apresentado o filme
durante outra sessão, e que havia contado que seu pai a processara após a
estreia do filme, por tê-lo exposto.
E eu que vi NO e TRANSPAPA no mesmo dia não pude deixar de
chegar à conclusão de que pode-se optar até mesmo pelo fim de governos
ditatoriais. Mas família ninguém escolhe.
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Definitivamente não consigo entender o critério de seleção
para os filmes da repescagem da Mostra SP. Supostamente aquelas cédulas de
votação que recebemos antes de cada sessão servem para eleger os filmes que
serão exibidos novamente.
Mas como explicar a presença de coisas como LA NOCHE DE
ENFRENTE (2012), abandonado por muitos ao longo da sessão de repescagem e
execrado por aqueles que resistiram bravamente até o fim, conforme ouvi pelos
comentários pós-sessão repescagem?
E outra: por que cargas d’água re-exibir NOSFERATU (NOSFERATU,
EINE SYMPHONIE DES GRAUENS, 1922) e LAWRENCE DA ARÁBIA (LAWRENCE OF ARABIA,
1962), sim, bons filmes, mas ora, pipocas, filmes mais que manjados do cabo e
DVD?
Pra esperar estrear no cinema (ou ser lançado direto em DVD):
NO (idem, 2012)
Direção: Pablo Larraín
Com: Gael García Bernal, Alfredo Castro etc.
Pra esperar ser lançado direto em DVD ou tentar baixar na
internet:
TRANSPAPA (idem, 2012)
Direção: Sarah-Judith Mettke
Com: Luisa Sappelt, Devid Striesow etc.
Pra ver em DVD:
TRANSAMÉRICA (TRANSAMERICA, 2005)
Direção: Duncan Tucker
Com: Felicity Huffman, Kevin Zeggers etc.
NOSFERATU (NOSFERATU, EINE SYMPHONIE DES GRAUENS, 1922)
Direção: F.W.Murnau
Com: Max Schreck, Greta Schröder etc.
LAWRENCE DA ARÁBIA (LAWRENCE OF ARABIA, 1962)
Direção: David Lean
Com: Peter O’Toole, Alec Guiness, Anthony Quinn, Omar Sharif
etc.
