Mostrando postagens com marcador et. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador et. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A rosa púrpura de Paris



Crianças têm amigos imaginários. Alice foi ter seu amigo imaginário na adolescência, em torno de seus 15 anos. Foi quando viu pela primeira vez um filme de Woody Allen. E, desde então, Alice, que nunca se sentiu em um mundo de maravilhas, passou a buscar conforto para suas angústias existenciais nas palavras de seu novo amigo e confidente imaginário, Woody Allen.

Anos se passaram, e Alice, agora uma balzaquiana, continua conversando com a foto de seu melhor amigo, que lhe escuta, e aconselha, como ninguém. E é claro que só ele poderia lhe ajudar em seu atual momento sentimental – Alice está acomodada em um pseudo-relacionamento com um almofadinha, quando surge em sua vida um típico personagem woodyalleano, ou seja, o mais próximo que ela poderia imaginar de uma alma gêmea. Mas ela não enxerga isso. É preciso que Woody lhe abra os olhos.

PARIS-MANHATTAN (idem, 2012) é uma comédia romântica francesa em cartaz nos cinemas. E uma comédia romântica francesa com um final simplesmente sensacional.

Pessoalmente, considero esse filme – e seu encantador desfecho - o fecho de ouro de uma carinhosa trilogia feita por fãs que começou com a comédia non sense QUERO SER JOHN MALKOVICH (BEING JOHN MALKOVICH, 1999) - um dos filmes mais hilários de todos os tempos, em que seu protagonista descobre uma passagem para a mente de Malkovich - e teve como segundo capítulo o documentário MEU ENCONTRO COM DREW BARRYMORE (MY DATE WITH DREW, 2004), que acompanha o empenho de um ardoroso fã de Drew - desde sua tenra infância, quando a viu no cinema como a pequena irmã do menino Elliot, amigo do ET (idem, 1982) – em conseguir marcar um encontro com sua musa.

Cada um em seu gênero dentro de seu próprio meio, o cinema , três (imperdíveis) odes a três astros.


PARIS-MANHATTAN (idem, 2012)
Direção: Sophie Lellouche
Com: Alice Taglioni (foto), Patrick Bruel etc.

MEU ENCONTRO COM DREW BARRYMORE (MY DATE WITH DREW, 2004)
Direção: Brian Herzlinger, Jon Gunn
Com: Brian Herzlinger etc.

QUERO SER JOHN MALKOVICH (BEING JOHN MALKOVICH, 1999)
Direção: Spike Jonze
Com: John Malkovich, John Cusack, Cameron Diaz, Catherine Keener, Octavia Spencer etc.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Um menino, um ET: 30 anos depois




Quem, assim como eu, foi criança nos anos 80, e quem, assim como eu, foi uma criança não muito popular entre outras crianças nos anos 80, só queria ter um melhor amigo na vida: ET. Feio, desproporcional, pescoçudo, desengonçado, dado a bebedeiras e com tendências ao cross-dressing, se ET fosse humano seria um sério candidato ao bullying, prática mais do que na pauta nos dias de hoje, mas que já existia não somente nos anos 80, mas desde sempre.

Nada mais natural que crianças que na escola eram chamadas de ETs pedissem em suas orações à noite que o próprio aparecesse em seus quartos e as levasse para um passeio de bicicleta, só que por cima de suas casas. E pais horrorizados descobriam que seus pimpolhos não queriam mais ganhar de aniversário ou Natal fofos ursinhos de pelúcia, mas bonecos do...ET.

Os anos se passaram, as crianças esquisitas cresceram (pelo menos fisicamente), e eis que, em pleno 2012, o cinema – sempre ele – traz para aquelas crianças oitentistas, hoje balzaquianas, que trocaram os ursinhos por ETs, um novo objeto de desejo: um ursinho de pelúcia.

No filme TED (idem, 2012), este foi o presente de Natal do esquisito John Bennett (Mark Wahlberg) quando tinha oito anos. E ele pediu tão ardorosamente aos céus que o fofo ursinho que ganhara fosse capaz de falar mais do que “I love you” (e mesmo assim só quando lhe apertassem a barriga), que seu desejo foi realizado.

Tal prelúdio se passa, adivinhem, em 1980 e poucos. Os anos também se passam no filme e encontramos um John Bennett adulto, ou melhor, com 30 e poucos anos. Ted continua mais falante do que nunca. E (bem) chegado num narguilé, álcool e mulheres (sim, mulheres, e quanto mais cachorras – e não no sentido zoófilo – melhor). E, claro, Ted continua mais amigo do que nunca de John.

E segue o filme, um tratado sobre a amizade e amadurecimento, e com todos os clichês de filmes sobre amizade e amadurecimento. Mas este é o primeiro filme sobre amizade em que um dos amigos é um urso de pelúcia. E um urso de pelúcia que fuma narguilé, enche a cara e dá as cantadas mais grosseiras possíveis em suas pretendentes. E que ainda vem recheado de referências da cultura cinéfila dos anos 80: FLASH GORDON (idem, 1980) é a mais explícita, mas tem muitas outras, todo o tempo – nem MAMÃEZINHA QUERIDA (MOMMIE DEAREST, 1981) e ANNIE (idem, 1982) ficaram de fora.

Quanto a mim, nos meus 30 e poucos e barbudo, já sei o que pedirei de Natal.



ET (idem, 1982)
Direção: Steven Spielberg
Com: Henry Thomas, Drew Barrymore, Dee Wallace, Peter Coyote etc.

TED (idem 2012)
Direção: Seth MacFarlane
Com: Mark Wahlberg, Mila Kunis, Seth MacFarlane (voz de Ted) etc.